Há cerca de três meses consegui fazer algo que me deixou muito feliz, uma mini ramp ou melhor, micro ramp.
Editando: esse post iniciei em Agosto/2014,
como fui transferido de cidade pelo
trabalho me desfiz da rampa (prox. post), e acabei
deixando esse blog que mal existe de lado.
Nunca havia tido contato com transição, e sempre tive vontade. E como qualquer skatista, a gente inventa.
Também gosto de fazer as coisas com minhas mãos, para não investir em algo que não dê certo e acabar desperdiçando dinheiro (quase ninguém tem esse luxo).
Mas vamos à mão na massa: como eu nunca havia feito nada do tipo, fui pesquisar na internet. Infelizmente no Brasil existem pouquíssimas informações sobre construir rampas (de qualquer coisa na verdade, exceto quadradinho de oito), mas contei com a ajuda de pessoas bacanas com dicas simples. Obrigado Enilson Komono e Ernesto Belote. Mas as informações mais completas são dos americanos (e como eles gostam de compartilhar idéias).
Dicas:
http://rampplans.org/
http://www.diyskate.com/
E muitos vídeos no YouTube
Porém ninguém tinha feito nada exatamente como eu imaginava, que seria reaproveitar o máximo de material possível, e o mais acessível nesses dias são os paletes. Usando as dicas e um pouco de imaginação consegui algo interessante.
Ferramentas que utilizei:
- Serra tico-tico
- Martelo
- Alicate (eletricista e turquez)
- Parafusadeira
- Furadeira
- Muitos parafusos
- Pegros (da pra aproveitar dos paletes)
Materiais:
- Paletes, acho que utilizei sete
- Duas placas de compensado (quebrei uma, entao usei 3)M
- Muitos parafusos
- Pegros (da pra aproveitar dos paletes)
- Cano de ferro de pelo menos 60 mm
O segundo passo é desmontá-los, e isso exige um pouco de paciência, pois quanto mais tábuas quebrar mais trabalho terá. E como geralmente são madeiras moles e pregos de baixa qualidade que enferrujam muito, isso pode levar um tempo. Uma dica que aprendi com eu pai: para tirar o prego, primeiro bata ele como se fosse pregar mais um pouco, assim a ferrugem se solta e fica mais fácil puxá-lo. Depois puxe ele com o martelo e as vezes com alicate.
Imagem 01. Buscando os paletes.
Imagem 02. Desmontar os paletes e separar as madeiras por categorias. É bom encontrar paletes que tenham boas vigas, pois ajudarão a reforçar a estrutura.
A terceira parte do trabalho foi buscar as medidas, o que deu um pouco de trabalho e muita adivinhação, decidi por usar uma transição com raio de 1,30 metros e 0,6 m de altura.
Depois foi a hora de formar com as tábuas uma espécie de parede, conforme a imagem abaixo. As duas vigas que aparecem são somente para apoio, mas por baixo tem duas finas ripas pregadas, para manter as tábuas firmes.
Imagem 03. Tábuas pregadas, formando uma "placa" de madeira.
Indo para o quarto procedimento, que será criar a marcação da transição. O raio que utilizei foi de 1,30 metros. Para medir, coloquei uma viga (qualquer peça comprida) em ângulo de 90 graus na lateral da "folha", amarrei uma corda com 1,30 metros, amarrei a caneta na ponta e tracei o risco, marcando o corte da transição. Depois é só inverter o lado e marcar a outra transição na mesma folha, como abaixo.
Imagem 05. Marcações dos cortes para a transição.
Depois de marcadas as linhas em duas "placas" de madeira, é só fazer o corte com a serra tico-tico.
Imagem 06. Transições recortadas.
Quando as transições já estiverem recortadas, deve ser feito um reforço, já que as tábuas precisam estar bem unidas. Usei então as vigas, posicionadas no local que ia fixá-la, fiz uma marca e cortei, quanto maior o número, maior será a firmeza da rampa.
Imagem 07. Transições já reforçadas.
Estas foram as partes mais demoradas, a partir daqui já se começa a ter uma forma. O próximo passo é pegar as outras tábuas que estavam reservadas, usar as que tenham a mesma largura do madeirite que irá usar, no meu caso foi 1,10 metros e então vai fixando as duas transições lado a lado.
Quando eu fiz isso, não coloquei nada unindo as paredes por baixo, aconselho quem for fazer, que já intercale algumas madeiras embaixo, pois vai melhorar muito a estrutura. Quanto a parte plana (flat), deverá seguir a mesma altura da base da transição, eu usei duas ripas remontadas, mas pode se usar as dos paletes mesmo, e para a transição com raio de 1,3m o plano deve ter cerca de 2,20 metros.
Imagem 08. Junção das transições com as tábuas, quanto mais melhor. Notar que abaixo não coloquei nada unindo todas elas, coisa que aconselho a fazer.
Feito o estrado onde irão as placas de compensado, fiz a parte da borda e a plataforma para dropar. Minha ideia inicial foi deixar a rampa mais leve e com mais "estilo", onde não pensava em fazer um quadro fechado abaixo da plataforma. Então fiz uma extensão da borda e fixei uma madeira como se fosse uma mão francesa (Imagem 09). Para o apoio do cano na borda, deve ser feito de forma que o cano fique com pelo menos metade do diâmetro para cima da plataforma e pelo menos 1/3 pra fora da placa de compensado, para que tenha um pouco de comping blor, ajudando nas manobras (Imagem 10), eu coloquei duas vigas mais largas desencontradas, fazendo uma quina de 90º.
Imagem 09. Fazendo a extensão da borda e plataforma para dropar.
Para fixar o cano na borda, o ideal é que ele esteja bem encaixado nos apoios da plataforma, eu usei o método de parafusar através do cano. Para isso, fixe o cano com uma fita adevisa, depois faça um furo na primeira extremidade de tamanha suficiente para passar a cabeça do parafuso, e na outra extremidade faça um furo menor para que o parafuso trave. Depois é só encaixar o parafuso e apertar (Imagem 10). O meu ficou muito "escondido" pela plataforma, como disse anteriormente o ideal é que ele sobressalte pelo 1/3 do diâmetro.
Imagem 10. Fixação do cano da borda. Na segunda imagem fica fácil visualizar o parafuso e o furo maio.
Imagem 11. Madeirites e cano para a borda. Chapa de compensado impermeabilizado (não recomendo).
Para a fixação é um processo um pouco chato, comecei colocando a placa rente ao cano e coloquei o primeiro parafuso, um maior que tinha, para facilitar o trabalho e fazer menos esforço. Após isso fui colando os parafusos de cima para baixo, forçando a placa a curvar. Deve ter cuidado nesse momento, se for um compensado naval a dica é ir umedecendo a madeira, assim fica mais maleável. Para fazer a ligação entre as duas placas tive que fazer um corte com a tico-tico porque eles se trespassaram, deixei elas na posição certa e cerrei a de cima, encaixou como uma luva, ficando só um desencontro lateral de 1 cm.
Imagem 12. Na primeira imagem foi a primeira placa que coloquei, e quebrei. Depois substituindo e finalizando.
Imagem 13. Rampa quase finalizada, com a placa quebrada e faltando colocar a plataforma (não tenho foto dessa parte).
Colocadas as placas já foi possível começar a diversão, ficou com velocidade boa, depois que aprendi a dar mais impulso nela ficou fácil, até o ponto de dar medo de cair no quintal do vizinho que fica há oito metros abaixo. Mas nada ocorreu. Depois de algumas voltas (só sabia dar rock n roll mesmo), percebi que quando estava na plataforma ela forçava o meio da rampa, para resolver isso fiz um quadro fechado sob ela, desta forma a rampa ficou mais firme. Também no meio ela se mexia um pouco, então coloquei uma ripa embaixo pra ficar mais firme também.
Na versão final ela ficou como a imagem abaixo, o que me deixou muito feliz. Acabei que não fiz uma pintura nela, mas o mais importante estava pronto: a diversão. Só tomava o cuidado de deixa ela um pouco inclinada, para que quando chovesse não acumulasse água.
Bem, resumindo é isso. Quem for tentar fazer e quiser trocar idéias é só falar. Como fui na tentativa e erro e invenção, não sei de todas as facilidades. Mas ficarei feliz em ajudar se for possível.
achei o que precisava ver...obrigado!!
ResponderExcluirEstou pensando em montar uma também, gostei muito da ideia
ResponderExcluirGostei muito da ideia muito obrigado, mas gostaria de saber se a transição foi um pouco menor será q da Tb?
ResponderExcluirValeu!!!
ResponderExcluirCara muito top to louco pra fazer a minha e seu blog me ajudou parabéns mano
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